Ouça La Loba
Encontre um lugar onde possa ficar alguns minutos consigo mesma. Se desejar, acenda uma vela. Não procure respostas rápidas. Apenas escute.
"Em quais lugares você aprendeu que dizer a verdade poderia custar amor?"
O exercício
Depois de ouvir La Loba, não se levante imediatamente.
Fique alguns minutos em silêncio.
Se puder, coloque diante de você um pequeno objeto que represente o Osso da Voz. Pode ser uma pedra, um galho, uma concha ou qualquer objeto que você escolha guardar durante esta jornada.
Segure-o nas mãos. Respire devagar. E volte mentalmente à pergunta:
Em que lugares eu aprendi que dizer a verdade poderia me custar amor?
Não tente responder com a cabeça. Espere uma lembrança. Um rosto. Uma casa. Uma frase. Uma sensação no corpo.
Talvez você se lembre de quando tentou dizer alguma coisa e ninguém acreditou. Talvez da primeira vez em que ouviu que era dramática, difícil, exagerada ou sensível demais.
Talvez você não se lembre de uma cena específica. Então observe apenas onde seu corpo reage. A garganta aperta? O peito pesa? O estômago contrai? Fique ali.
Abra o seu Caderno dos Ossos
Escreva no alto da página: "O que eu não disse?" E complete, sem pensar demais: "Eu queria ter dito…" Escreva tudo o que surgir. Não corrija. Não explique. Não tente ser justa com ninguém. Este exercício não é um julgamento sobre outras pessoas. É um encontro com aquilo que você sentiu.
As frases que aprendi a engolir
Deixe aparecer. Talvez sejam:
- "Isso me machucou."
- "Eu não quero."
- "Pare."
- "Eu discordo."
- "Estou cansada."
- "Eu preciso de ajuda."
- "Eu quero outra coisa."
- "Não gostei da maneira como você falou comigo."
- "Eu sabia que alguma coisa estava errada."
- "Eu tenho direito de mudar de ideia."
O que eu costumo dizer no lugar da minha verdade?
Talvez:
- "Tudo bem."
- "Não tem problema."
- "Deixa para lá."
- "Você tem razão."
- "Eu entendo."
- "Desculpa."
- "Não quero causar confusão."
Observe essas frases. Não se condene. Pergunte apenas:
O que estou tentando proteger quando digo isso?
O amor de alguém? A paz da casa? A imagem de boa pessoa? O medo de ficar sozinha? O medo de conflito?
O que eu digo × O que eu realmente sinto
Faça pelo menos cinco exemplos da sua vida atual. Por exemplo:
| O que eu digo | O que eu realmente sinto |
|---|---|
| "Está tudo bem." | Estou magoada. |
| "Pode ser." | Eu não quero. |
| "Não precisa se preocupar comigo." | Eu gostaria que alguém cuidasse de mim também. |
| "Desculpa." | Eu não fiz nada errado. |
| "Eu vejo depois." | Isso é importante para mim. |
Leia lentamente o que escreveu. Talvez exista uma distância entre sua voz externa e sua verdade interna. Não tente corrigir tudo hoje. Apenas veja. Porque aquilo que conseguimos ver já começa a deixar de nos governar escondido.
A frase do seu primeiro osso
Segure novamente o objeto que representa seu osso. Escolha uma frase verdadeira que você precisa começar a recuperar. Apenas uma. Pode ser:
- Não.
- Eu não gostei.
- Eu quero.
- Eu preciso pensar.
- Isso me feriu.
- Eu não concordo.
- Eu mudei de ideia.
Escreva essa frase grande no final da página. Essa será a frase do seu primeiro osso.
Durante as próximas 24 horas, observe todas as vezes em que sua boca estiver prestes a dizer algo diferente daquilo que você sente. Você não precisa necessariamente falar. Primeiro, apenas perceba. Pare por alguns segundos. Respire. E pergunte:
Se eu não estivesse tentando impedir que alguém deixasse de me amar, o que seria verdadeiro para mim agora?
À noite, volte ao caderno e escreva uma única frase: "Hoje eu ouvi minha voz quando…" Complete. Pode ser algo pequeno. Talvez você tenha dito não. Talvez tenha pedido tempo. Talvez apenas tenha percebido que estava prestes a se calar. Isso já conta. Porque recuperar a voz não começa gritando. Começa quando uma mulher consegue reconhecer a própria verdade antes de abandoná-la.
Ritual de encerramento
Segure seu "osso" junto ao peito. Feche os olhos. E diga devagar:
"Minha voz não precisa ser perfeita."
"Minha voz não precisa agradar."
"Minha voz não precisa convencer ninguém para existir."
"Eu posso escutar aquilo que sinto."
"Eu posso confiar no que percebo."
"Eu posso escolher quando falar."
"Eu posso escolher quando silenciar."
"Mas não vou mais desaparecer de mim para preservar o amor de alguém."
Depois coloque o objeto em um lugar especial. Ele será o primeiro dos seus nove ossos.
Não escreva bonito. Escreva verdadeiro.